sábado, 29 de janeiro de 2011

"O hobbit": livro problema (?)

Em mais um texto longo sobre algo relacionado a literatura (dessa vez sobre Tolkien, pra variar), resolvi falar tudo o que sempre achei sobre "O hobbit", o primeiro romance completo e publicado de Tolkien. O livro (que chegou ao Brasil só em 1997, mas existia em português desde 62), viu a luz das livrarias inglesas no dia 21 de Setembro de 1937 (equinócio de outono no hemisfério norte e de primavera no hemisfério sul). Coincidentemente, um dia antes do aniversário de Bilbo Baggins (protagonista do livro) e Frodo Baggins (sobrinho de Bilbo e protagonista de uma outra obra)."O hobbit" conta a história de como o mago Gandalf (sim, aquele) convence o pacato hobbit Bilbo a se juntar em uma aventura com 13 anões (um deles é parente daquele tal Gimli). Sem entender muito bem do que se trata, Bilbo quebra os costumes do Condado (lar de muitos hobbits respeitáveis) e aceita o convite. Bilbo sabe que há algo sobre matar um dragão e recuperar um tesouro que ele roubou dos anões. Bilbo também sabe que se ele sobreviver e ele pode receber uma parte do ouro. Só. Ele não sabia que iria enfrentar trolls e orcs, ou se encontrar com elfos, ou se envolver num guerra entre povos.Bilbo também não sabia que iria encontrar um anel mágico e lutar contra aranhas gigantes (coisa que seu sobrinho um dia faria, também, em uma outra obra). E é assim que Bilbo se encontra com o sábio Elrond meio-elfo em Valfenda, cruza as montanhas sombrias onde os anões ergueram uma tal de Minas Moria ou as Floresta das Trevas onde um tal de Legolas mora (assim como um Necromante conhecido como Sauron e seus nove cavaleiros negros, dentro de uma torre).Vejam como toda a história de Bilbo iria levar até a história de Frodo, no "Senhor dos Anéis", certo? Errado (mais ou menos). A começar pelo Anel. É dito que Bilbo, por razão de uma esconhecida força maior, engana a criatura Gollum num antigo sagrado jogo de advinhas (tão respeitado e praticado pelos hobbits), ao que desperta a ira de Gollum. Depois de conseguir fugir das garras do adversário, é dito que Bilbo nada conta sobre seu recém adquirido objeto mágico para Gandalf ou para os seus companheiros anões.E é aí que se encontra o grande problema. O primeiro deles, na verdade. Lembram que há pouco falei sobre Legolas, Moria e Sauron? Pois bem, nada disso é dito no livro. Apenas quando se lê o Senhor dos Anéis ou se estuda outros textos do Tolkien, é que sabemos sobre isso. Isso não é necessariamente um problema, calro, mas faz parte de um problema maior. "O hobbit" não se passa na Terra-Média. Pôlemico? Bem, quem afirma é o próprio Christopher Tolkien (filho do Homem e autor dos melhores estudos e compilações inéditas do pai).Explico. "O hobbit" começou em fevereiro de 1930, quando Tolkien corrigia umas provas em Oxford. Um de seus alunos entregou-lhe uma página em branco e Tolkien aproveitou para rascunhar uma frase que estava em sua cabeça desde manhã: "Num buraco no chão vivia um hobbit...". E Tolkien quis saber o que era um hobbit. Para responder a essa pergunta, pelos próximos 4 anos contou as aventuras de Bilbo Baggins para entreter seus filhos e sua esposa nas noites frias e desocupadas. O então pequeno Christopher achava que o pai devia escrever tudo aquilo para não se esquecer. E assim, durante mais 2 anos, tolkien escreveu "O hobbit, ou: lá e de volta outra vez", com nomes, eventos e humors retirados da cultura islandesa.No ano seguinte, por insistência do amigo C. S. Lewis (o criador de Nárnia), Tolkien mandou o manuscrito para uma editora (Harper-Collins) e publicou sua primeira obra. Tratava-se de uma obra infantil de fantasia, um conto de fadas. Isolada de todas as outras criações, Tolkien apenas salpicou alguns elementos de sua obra principal no "Hobbit". (Devo lembrar-lhes que a orba principal a qual me refiro é "O Silmarillion", conforme expliquei em um post anterior; uma obra que tentaria criar toda uma mitologia para a Inglaterra e consequentemente para os Dias Antigos do mundo todo).Assim sendo, no "Hobbit", Tolkien citou os Alto-Elfos (Noldor), o Necromante (Sauron), Azog (o capitão orc que destruiu Moria), Elrond e, principalmente, a Pedra Arken: o tesouro mais cobiçado pelos anões (Pedra Arken em inglês antigo é Eorclastnas, um dos nomes que Tolkien deu para as Silmarils, a peça fundamental na qual gira "O Silmarillion"). Então, quando os editores pediram que Tolkien escrevesse mais histórias sobre hobbits, uma vez que o publico pediria, ele resolveu continuar a história a partir desses elementos mais antigos.Dessa forma, se "O Silmarillion" trata dos Primeiros Dias, "O senhor dos anéis" trata dos Últimos Dias. Um continuaria o outro (Tolkien até mesmo cogitou lançar os dois livos num volume só, mas os editores não quiseram arriscar e Tolkien não conseguiu acabar "O Silmarillion"). Agora, "o hobbit" fazia parte das histórias da Terra-Média, ams apenas como um prólogo que liga uma obra a outra.Para tanto, Tolkien precisou fazer uma pequena modificação: como o Anel foi parar na mão de Bilbo. Ele não pretendia escrever histórias sobre a Segunda ou Terceira Eras da Terra-Média. Ele se quer cogitava a existência de tal coisa. "O Silmarillion" tratava sobre os dias antigos e só, nada mais. A idéia de continuar a mitologia (até o ponto em que chegou) veio com uma mudança de tom e sentido no "Hobbit". Quem leu (ou vier a ler) "O hobbit", perceberá como a narrativa é inffantile cheia de piadinhas bobas como a origem do golfe ou o pensamento de uma raposa ou as canções jocosas dos elfos. Mesmo a primeira parte do "Senhor dos Anéis" tem esse clima (exceto que os elfos não se embebedam na "Sociedade do Anel"). Conforme as coisas crescem e a ameaça se torna real, o humor das obras fica mais sombrio e sério.Até no "Hobbit", quando uma batalha é travada por mesquinharia e personagens morrem. Mas, até esse momento, todo o livro deveria ser alegre e inocente. Deveria, mas não o é. Onde? No momento em que Bilbo se apossa no Anel. Por quê? Por que ali vemos a influência dos contos antigos da Primeira Era e os presságios de como acabarão a Terceira Era. Sauron age nas ganâncias de Bilbo e de Gollum. E como já devo ter dito, nem sempre foi assim.Quando Tolkien releu "O hobbit" para um nova edição, antes do lançamento do "Senhor dos Anéis", ele precisou se conter para não reescrever o livro todo (para uma terceira edição em 47)! Por sorte, ele apenas modificou o capítulo 5, cuja idéia inicial era a seguinte: Bilbo, perdido na escuridão da caverna dos orcs, encontra a criatura Gollum, com quem joga advinhas para passar o tempo. Como Bilbo ganha honestamente no jogo, Gollum o leva até a saída da caverna e (pasmem!) lhe dá de presente um anel mágico que o deixa invisível. Bilbo se despede jurando visitar o novo amigo um dia...Imagino que agora tudo começa a ficar claro. Quando Tolkien escreveu "O hobbit", ele não imaginava uma Guerra do Anel, um rei caído de Gondor, uma traição do Mago Branco ou uma partida dos elfos de volta para Valinor. Da mesma forma, quando Tolkien escreveu "O Senhor dos Anéis", ele não ligou muito para explicar sobre relógios, golfe, trolls falantes, elfos festeiros, gigantes de pedra, animais falantes, a Pedra Arken ou mesmo os próprios hobbits. Claro, que para ("quase") tudo isso foi encontrado uma solução. Mas, tais soluções é que geram tantos problemas.E que problemas! A Terra-Média não tem gigantes, mas quem são aqueles gigantes de pedra? Alguns vão dizer que são as montanhas vistas contra uma tempestade, mas Tolkien lhes dá movimentos e feições. PODEM SER trolls, uma vez trolls que são corrupções de ents e ents PODEM TER SIDO chamados de gigantes verdes no início do "Senhor dos anéis". E, falando em trolls, os trolls falantes e pensantes no "Hobbit" PODEM SER olog-hai, ou meio-trolls. Entendem a dificuldade? E tem mais...A pedra Arken não era uma Silmaril (ponto, não se discute mais). Assim como os elfos bebrem, cantarem e rirem demasiadamente se trata apenas de como Bilbo os interpretou ao escrever seu livro (uma solução simples: considere "O hobbit" e "O senhor dos anéis" como uma obra narrada por Bilbo, Frodo e Sam). E, falando nos hobbits, de onde eles vieram? Ah, DEVE TER SIDO uma transformação dos humanos que viviam as margens dos rios no norte.Com tantas diferenças entre uma obra e outra, fica fácil entender por que muitos não consideram "O hobbit" como fazendo parte dos contos da Terra-Média. Agora, com basse nisso, é curioso pensar que o único livro sobre a Terra-Média escrito e completado pelo próprio punho do tolkien, espontâneamente (ou seja, sem cobrança ou pedido da editora e sem ser editado póstumamente) seja "O hobbit": o único livro de Tolkien sobre a Terra-Média que não trata sobre a Terra-Média em si, de verdade.Para maiores esclarecimentos, consultem os dois volumes do "The history of the Hobbit" (1: Mr. Baggins & 2: Return to Bag-End) do autorJohn D. Rateliff. Esse livro foi publicado em junho de 2007, mas não chamou a atenção devido ao fato de que no mesmo ano o Christopher Tolkien editava uma obra inédita do pai ("Children of Húrin"). De qualquer forma, esse livro foi encomendado pelo próprio Christopher na década de 80. Naqueles tempos, Christopher estava ocupado coletando, editando e publicando a série "History of Middle-Earth" (conforme expliquei no outro post, uma série de trabalhos e versões abandonados por Tolkien) e ele considerava que os materiais a cerca do "Hobbit" não se encaixavam na série HoME. Antes do lançamento, contudo, Christopher verificou a aprovou todo o conteúdo de esboços, desenhos, rascunhos, notas, versões alternativas e extensões abandonadas do "Hobbit" contidas nos dois volumes de John D. Rateliff. E assim acaba, para quem conseguiu ler até aqui, esse tópico cheio de informações 'inúteis' mas de grande interesse para os admiradores da obra de Tolkien (assim imagino), pois "tudo está tão bem quando acaba melhor", de acordo com o senhor Bilbo.

A viagem de Earendil e a criação de Arda pelos versos

Na infância de Tolkien, os nomes dos trens eram em galês antigo. Aquela língua o encantou. E continuou encantando até que, casualmente, comprou um livro em inglês arcaico (ou gótico). Foi um amor instantâneo pelo som daquelas misteriosas palavras que despertaram seu futuro como filólogo. Através desse estudo de línguas, conheceu poemas em línguas antigas e acabou travando contato com obras como “Beowulf”, “Sir Gawain and the Green Knight”, “Sir Orpheu” e “Pearl”. Também travou contato com os Eddas (da Islândia) e com o Kalevala (da Finlândia). Foi com um parco contato com a língua finlandesa que decidiu inventar sua própria língua. Foi com os mitos finlandeses que decidiu contar a história de Turin Turambar (uma versão do mito de Kulervo).Além de Kulervo, decidiu contar a clássica história da Humanidade em que os deuses punem um povo superior por sua arrogância e audácia, afundando a ilha em que moram. Tolkien costumava ser assombrado pelos pesadelos com Atlântida em muitas noites (assim como o medo de aranhas desde que uma caranguejeira subiu em seu berço). Assim nascia a história da queda de Gondolin. E apesar dessa história, junto com a de Turin, ter sido a primeira lenda imaginada para compor sua obra (então o “Book of lost tales”, que viria a ser conhecido como “Silmarillion”), ela se situava ao final da epopéia.A obra que se situaria no centro de todos os eventos, era sobre Lúthin Tinúviel e Beren o maneta. Esta história surgiu do amor de Tolkien por sua mulher Edith. Eles freqüentavam um parque cujos caminhos eram ladeados por árvores. Tolkien ria de alegria ao ver a graciosidade com a qual Edith dançava e cantava, assim como Beren (um humano) se apaixonou pela comprometida princesa élfica Lúthien ao vê-la cantar e dançar. Tolkien também escrevera um poema sobre isso, chamado “Goblin’s feet”.E os poemas foram as bases para a obra de Tolkien e o nascimento da Terra-Média. A queda de Gondolin teve mais de 2000 versos antes de ser bruscamente interrompido. A balada de Beren e Lúthien (ou “Leithian”) teve quase 4000 versos sem nem ter chegado à sua metade. Esses e outros versos podem ser conferidos no terceiro volume da série HoME (comentada em um post anterior): “Lays of Beleriand”. Vocês também podem encontrar trechos deles no “Senhor dos Anéis” ou nas “Aventuras de Tom Bombadil”. Por exemplo, a canção que Bilbo sobre Earendil.E foi a história e Earendil que poderia ter dado início a Terra-Média. De fato, a idéia de Tolkien de recontar a história mitológica da Grã-Bretanha se deu nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, por volta dos anos 1917 a 1919. Mas, antes disso, em 1914, quando Tolkien terminava seus estudos, se deparou com um grupo de poemas anglo-saxões chamados “Crist”, de um autor chamado Cynewulf. Dois versos da obra eram : “Eala Earendel engla beorhtast/ ofer middangeard monnum sended”, (“Salve, Earendel, mais brilhante dos anjos/ sobre a terra do meio mandado aos homens”).Earendel era João Batista, de fato, mas também era um nome para a estrela do mar, a estrela da manhã: Vênus. E embora ainda não tivesse adotado nomes tirados da literatura islandesa para sua obra (pois sequer possuía uma obra), o nome terra do meio (‘Terra-Média’, ou “middangear”, “midgard”) o atraíra, também. Então, antes de adotar o nome de Earendil, Tolkien escreveu um poema sobre as viagens de Earendel em seu barco pelas estrelas: “The shores of Faery”. Nascia aí a Terra-Média, o Quenta Silmarillion e a Saga do Anel. Nascia sem ser planejado e antes da hora e Tolkien, como o pai, viria a ser o último a saber, claro. Nascia em versos, como Beleriand, Arda ou Valinor, nascia em versos como conta o "Silmarillion".

Tom Bombadil e o Homem da Lua

Muitas são as lendas, mitos e contos folclóricos a respeito da Lua. Só na Inlaterra, encontramos um fazendeiro que vive por lá, um cavaleiro matando um dragão e muitas outras. Tolkien, que tanto queria recriar a mitologia britânica, não deixou escapar a oportunidade e, por essa mesma razão, trouxe o homem da lua para seus contos. Não exatamente um homem... Tilion era um maia, um servo angelical dos valar. Era Tilion quem ocupava a vaga de timoneiro da embarcação ou da carruagem da Lua, sempre seguindo Árien, a navegadora do Sol. Tilion, apaixonado por Arien, seguia um curso instável quando renascia no leste depois de passar por baixo da terra, mas isso não vem ao caso.
Arien não só ocupava o brilho das antigas lâmpadas ou das árvores que foram destruídas por Melkor, no início dos tempos, antes dos homens nascere. Arien também foi a motivação para que um personagem folclórico surgisse na obra de Tolkein. Em toda a obra, literalmente. O Homem-da-Lua é um personagem recorrente que pertence a universo algum. Tanto habita a Terra-média como outras histórias sobre o nosso mundo, conforme veremos.
A primeira referência pode ser encontrada no "Senhor dos anéis", quando os hobbits cantam sobre ele no Pônei Saltitante, aquela estalagem em Bri. Aquelas mesmas canções, podems er encontradas no livro "As aventuras de Tom Bombadil". Lá, em dois poemas ambos atribuídos a Bilbo, ficamos sabendo como o Homem-da-Lua veste prata e de prata é sua barba e seu cabelo. De prata é a chava que abre as portas de marfim que leva até a escada que desce ora sobre um monte, ora sobre o mar. E o Homem-da-Lua, adornado com pedras preciosas sente falta de cores e de comida, mas costuma mesmo é descer cedo para beber da melhor cerveja, mas nunca no Yule (o natal, para quem ainda não sabe), pois ninguém lhe abre protas no frio. Sabe-se, também, que às vezes bebe demais e tem acordar muito cedo, de ressaca, apra voltar para Lua antes do dia nascer (o que uma vez acabou por deixar que uma vaca chegasse até a Lua).
Uma história tão hilária assim, não poderia ficar restrita a um livro adulto, como "O senhor dos anéis", portanto, não é de se espantar que o encontremos em "Roverandom", aquele livro que Tolkien escreveu apra seu filho Michael, quando este perdeu seu cachorro de brinquedo. O livro conta como um cachorro é transformado em brinquedo e acaba por viver grandes aventuras no fundo do amr e até na Lua, onde mora um dragão e um feiticeiro (que tem algo de Gandalf, assim como os outros feiticeiros da história). Mas, o mais curioso é que entre espinheiros e aranhas (em citações a Shakespeare e alguns contos de fadas), o cão Rover encontra um outro Rover (um cão-da-Lua) e o próprio Homem-da-Lua, que o ajuda a descer para o mar (uma vez que há um caminho que liga o mar até a Lua). E, se não bastasse isso, entre outras coisas, sabe-se como foguetes de festa escureceram a Lua e permitiram um eclipse (fato que, de fato, ocorreu enquanto Tolkien escrevia a história).
Qual a importância dese eclipse? Bem, nas "Letters from Father Christmas", o Homem-da-Lua desce para Terra por conta de uns foguetes que escureceram a Lua e permitiram o eclipse. Esse livro, na verdade, se trata de uma compilação de cartas que Tolkien escreveu para seus filhos por mais de vinte anos, como se fossem de autoria do Papai Noel. Um livro sensível e divertido, com várias histórias e ilustrações, que tem como personagens principais o Papai Noel, Polka um urso polar, orcs malignos e um elfo ajudante do Papai Noel chamado Ilbereth. Um nome muito semelhante a Elberteh, não é mesmo? Elbereth foi um dos nomes dado a Varda, uma vala cujo título significa "Rainha das estrelas".
E entre tantas referências que Tolkien fazia a Terra-Média em suas obras infantis, somos levados a esbarrar em poemas e brinquedos. Dessa forma, fica claro que o final dessa jornada seria Tom Bombadil, talvez o personagem mais enigmático do "Senhor dos anéis". Durante três apítulos do livro (que o próprio autor descreveu como fora do clima e da própria história), travamos contato com esse personagem brincalhão e alienado, que parece só querer cantar e conlher nenúfares para sua esposa (a também enigmáica Fruta D'ouro). Tranjando botas amrelas, jaqueta azul e um chapéu de abas largas com uma pena de ganso (vestimenta quase idêntica ao mago da areia Psmathos Psmathides, do "Rovernadom"), tudo o que ficamos sabendo sobre Tom Bombadil é que ele não é nem humano e tão pouco um hobbit. Pertence a raça alguma é o senhor da Floresta Velha. Por alguma razão, a guerra do Anel não o interessa e sequer Sauron ou o Anel surtem algum efeito mínimo sobre ele. Tom Bombadil está na Terra-Média desde o início e provavelmente será o último morrer, sendo, portanto, o mais velho (como o chamam os elfos).
Curioso por mais informações no intuito de descobrir quem, afinal, é Tom Bombadil, qualquer leitor pode procurar "As aventuras de Tom Bombadil". Entretanto, as divertidas poesias que se encontram lá, nada ou quase nada acrescentam para resolver o mistério. Na verdade, só ficamos mais curioso a respeito desse personagem que desafia os (possíveis) huorns que vivem em suas terras, bem como as aparições de príncipes Cardolans mortos e traidores, enterrados na COlina dos Túmulos, tão perto da Floresta Velha. Sabemos também como ele se encantou imediatamente pela Fruta D'Ouro e fez de tudo para consquistá-la e lhe dar um linda cerimonial e vida de casamento. E os dois parecem ser felizes juntos, principalmente quando sozinhos. Muito embora, Tom Bombadil, que canta sobre si mesmo, faça visitas a alguns amigos animais e ao fazendeiro Maggot (aquele mesmo que cria cogumelos e que perseguia Frodo quando criança). A dúvida a mais que surge é: o Rio é um homem ou uma mulher? Não fica claro em nenhum momento, mas muita coisa aponta as duas possibilidades. Sobre annimais falantes, isso pode ser visto no "Hobbit" e no próprio "Senhor dos anéis".
Então, como resolver Tom Bombadil? Tolkien já disse que ele não é um valar ou o próprio criador Eru Iluvatar. Ninguém mais ousa considerar a hipóteses metafísica de Tom Bombadil fosse o próprio Tolkien. Então, só nos resta fazer um resgat de como o personagem foi criado. E, mais uma vez, um brinquedo do filho Michael entra na história. Era um boneco holandês com uma pena no chapéu. Certa vez, o filho mais velho de Tolkien, John, por não gostar desse boneco, jogou-a na privada. mas, Tom Bombadil conseguiu ser salvo e se tornou o herói de uma história que iria encantar toda a família. A história se passava nos dias do Rei Bonhedig (que ninguém tem a menor idéia de quem seja) e... bem, a história acabava aí. Depos disso, Tom Bombadil virou o personagem de um poema ("As aventuras de Tom Bombadil") em 1932, anos antes de Tolkien pensar em escrever sobre hobbits ou anéis mágicos.
Entretanto, sem nenhum elemento da sua Terra-Média ou do seu "Silmarillion", Tolkien ofereceu os poemas e aventuras de Tom Bombadil (que iriam muito mais longe do que foi) como uma possível continuação para o "Hobbit", mas os editores não ficaram entusiasmados. Tolkien compreendia, assumindo que Tom Bombadil, na verdade, representava o espírito da região campestre de Oxford e Berkshire, que já haviam chego a sua ascensão e agora minguavam. De qualquer forma, aqui vemos, mais uma vez, como de fato Tom Bombadil era o senhor de um lugar e de um tempo, sendo o próprio lugar e o o próprio tempo, na verdade. Assim, Tom Bombadil é a Floresta Velha (enquanto Fruta D'Ouro é o rio Voltavime que cruza a floresta, da mesma forma que Caradhras, aquela montanha ranzinza que ataca a Sociedade do Anel).
Portanto, assim como Tolkien inseriu diversos elementos de sua mitologia particular nas suas obras paralelas (conforme apontei no tópico sobre o "Hobbit"), parece que ele também aproveitou e inseriu elementos d eoutras obras suas naquelas relativas a sua mitologia (conforme também se iniciou a discutir no post sobre o "Hobbit"). Então, entre brinquedos e histórias para família, entre folclore e poesias, a Terra-Média (e toda a obra de Tolkien) é constituída disto: de Tom Bombadil e de Homem-da-Lua.

Inklings: da Terra Média para o Espaço

Tolkien conheceu Jack em 11 de maio de 1926 em uma reunião da faculdade. Jack fora recém aceito na cadeira estudos lingüísticos da mesma. A amizade dos dois foi instantânea e, enquanto durou, foi forte. Tolkien influenciou Jack a conhecer a fé (conforme relata no poema “Mythopoeia”), a escrever livros de fantasia para crianças e a participar dos Inklings, uma sociedade de contistas, romancistas e poetas que, além de discutir suas obras ou obras importantes da literatura anglo-saxônica, eram bons amigos e confidentes, gostando de passar as noites de quarta-feira juntos, fumando cachimbo no Balliol College.Tolkien já tivera outros grupos de estudo e apreciação de produções literárias (como o ‘koalbitters’, ‘mordedores de carvão’ em islandês, numa referência aos mineiros que passam as noites de frio junto ao fogo, contando histórias; ou a T.C.B.S.), mas nenhum grupo foi tão ilustre quanto os Inklings. Além de Tolkien e Jack, também participava desse grupo o fiel amigo de longa data de Tolkien: W. H. Auden, famoso poeta, importante crítico, influente editor e excelente autor.Jack costumava chamar Tolkien de ‘Tollers’ (apelido que o acompanhava desde criança) e a proximidade entre os dois foi tão grande, que Jack foi um dos primeiros a apreciar a “Lay of Beren and Lúthien” e tantos outros aspectos do mundo que rondava as lendas sobre os elfos, as silmarils e os próprios Beren e Lúthien. Assim, em 1930, com os humores elevados por conta de vinho, Tolkien (ou Tollers) e Jack combinaram que cada um escreveria uma história de ficção científica que remontasse à descoberta do Mito. Tolkien (ou Tollers) escreveria sobre uma viagem no tempo, e Jack escreveria sobre uma viagem pelo espaço.A história de Tolkien chamava-se “The lost Road” e nunca passou do terceiro capítulo (conforme se vê no quinto volume das HoME, chamado precisamente de “Lost Road and others tales”). O livro mostraria como o professor de línguas Alboin e seu filho, desenvolveriam sua relação até então tão distante, enquanto voltavam no tempo através de sonhos para desvendar um mistério que encontrara em sua biblioteca: uma estrada perdida que segue reta para fora do mundo até encontrar Atlântida, prestes a cair. Atlântida, na verdade, se chamava Númenor (alguém reconhece esse nome de algum lugar?).Mais uma vez Tolkien impunha sua própria mitologia em obras que não se tratava da Terra-Média. Claro que devemos levar em conta que “O hobbit” e consequentemente “O senhor dos anéis” ainda não tinham nem sinais de existência, mas, ainda assim, elementos como elfos, Morgoth, Sauron, Valinor se faziam presentes durante os tempos de guerra que culminariam na destruição de Númenor por ondas gigantes enviadas pelos valar.Sim, era um romance dos tempos do “Akallabêth”, o conto publicado no “Silmarillion” e citado no “Senhor dos anéis” a respeito da queda de Númenor ao final da segunda era. E este mesmo tema recorreu numa outra história inacabada (e publicada na nona HoME, “Sauron defetead”) chamada de “Notion club papers”, iniciada em 1945 sobre um grupo semelhante aos Inklings, próximo do final do século XX, que de alguma forma conseguem pistas sobre a corrupção dos homens e a queda Númenor durante tempos de guerra. Parte dessa segunda narrativa foi publicada em forma de versos sob o título de “Imram”, na “Time & Tide” em 1955, baseado nas lendas irlandesas de São Brandão, que chegou até um paraíso nos distantes mares do ocidente.Jack, por sua vez, escreveu, terminou e publicou um livro sobre Elwin Ransom, que é levado até Marte no livro “Out of the silent planet”. Mais ainda, Jack escreveu uma continuação chamada “Perelandra” (sobre uma viagem do mesmo herói até Júpiter) cuja qual Tolkien (ou Tollers) gostou ainda mais do que da primeira. Entretanto, Tolkien abominou a terceira e última parte do que ficou conhecida como “trilogia espacial” (há anos no prelo de uma editora evangélica), chamada de “That hideous strength”, que culmina em uma viagem até Vênus.O que é mais interessante nessa série de livros de ficção científica (os primeiros livros de Jack) foi que Tolkien (ou Tollers) encontrou alguns ecos de sua obra na obra do amigo (isso muito antes da amizade dos dois se romper devido a, possivelmente, inveja por parte de Tolkien para com o sucesso do amigo). O mito descoberto nas histórias de Jack era o mito de Adão, Eva e a ascenção e pecado da humanidade. Para tanto, referia-se a um paraíso nomeado como Numinor, onde um casal chamado Tor e Tinidril (Tuor e Idril, humano e elfa na “Queda de Gondlin”?) recebiam a visita de Elwin (variação lingüística e snonora de Aelfwine, “amigo dos elfos” e personagem central do então “Book of lost tales” a primeira versão escrita do “Silmarillion”).Antes de concluir, é importante frisar que “Jack” era o apelido dado a Clive Staples Lewis, mais conhecido como C. S. Lewis, que quando escreveu o sexto volume das “Crônicas de Nárnia” em 1955, conhecido como “O sobrinho do mago” referiu-se a anéis vindo de Atlântida. Mais uma mera coincidência ecoando em sua obra ou mais mito revelado na história dos Inklings?

O "novo Hobbit": mais do mesmo (?)

Comemorando, atraso, o primeiro aniversário desse novo formato do blog, resolvi retomar um dos meus primeiros posts aqui. Agora, ao invés de apontar os problemas que "O hobbit" causou na obra e na Terra-média de Tolkien, quero mostrar que as ligações entre esse livro e o "Senhor dos anéis" são maiores do que julga sua vã filosofia. E não estou me referindo as ligações encontradas nos apêndices ou nos "Contos inacabados". Me refiro a como Tolkien levou ao pé da letra o pedido de seu editor para que, em 1937, escrevesse um 'novo "Hobbit"'.
Se quando Tolkein releu e revisou o "Hobbit" para a publicação da "Sociedade do anel" ele sentiu vontade de reescrever todo o seu primeiro livro novamente, penso que um dos motivos que o levou a desistir pode ser o fato de que ela já havia feito isso. Sim, minha idéia é justamente essa: mostrar como os dois livros se parecem, muito mais do que a presença de hobbits como protagonistas lidando com anéis mágicos e orcs a serviço da força das trevas. E digo isso embasado na minha recente (e sétima) leitura do "Hobbit" (já "O senhor dos anéis" só li seis vezes, sendo a última no ano passado, mas muita coisa ainda está fresca na mente, graças a ajuda dos filmes).
Tomemos como ponto de partida e, consequentemente, ponto principal, a estrutura da história dos livros. "O hobbit" começa no Condado, quando um pacato hobbit se vê envolvido em uma missão que não é sua graças ao mago Gandalf. Ele parte em um grupo com anões e, logo de cara, enfrenta um grupo de monstros (no caso, trolls). Logo depois, acaba na casa de Elrond, em Valfenda, e de lá parte para as Montanhas Sombrias, onde enfrenta orcs a mando do Necromante (que depois descubriríamos ser Sauron).
Ainda está me acompanhando? Pois bem, de posse do Anel, o grupo sai da morada dos monstros e encontra um lugar amigo que os recebe (a casa de Beorn), que fica a beira de uma floresta. E depois de atravessarem a floresta chegam a um reino de humanos. De lá, parte para o fim da jornada (a perdida Montanha Solitária, onde vive o vilão da história, o dragão Smaug, que é morto por um personagem secundário em uma passagem que mal é mostrada). Então, o livro e a história poderiam acabar aí, mas uma surpresa aguarda os leitores nos capítulos finais do livro: o hobbit se vê envolvido em uma guerra por tesouros e territórios, onde as mais diferentes raças se reúnem.
"O hobbit" acaba com Bilbo (o protagonista, diga-se de passagem) confortavelmente em casa. Mas ficamos sabendo que 60 anos se passaram e o Anel encontrado trouxe problemas ao mundo, graças ao retorno de Sauron (aquele Necromante citado acima), seu legítimo dono que se sentiu roubado (igual ao Gollum, antigo portador do Anel antes de Bilbo). E é aí que começa "O senhor dos anéis", cuja história pode ser contada seguinte forma:
Um pacato hobbit do Condado se vê em uma missão que não é sua graças ao mago Gandalf. Ele parte em grupo, que mais tarde teria um anão, e logo de cara, enfrenta um grupo de monstros (no caso, Nâzgul, mas ele passa bem perto de onde estavam os trolls). Logo depois, ele acaba na casa de Elrond, em Valfenda, e de lá parte para Moria (nas Montanhas Sombrias), onde enfrenta orcs a mando de Sauron, e um dos personagens (Gandalf) enfrenta sozinho uma criatura das profundezas (dessa vez, um Balrog, e não o Gollum).
Por fim, o grupo sai da morada dos monstros e encontra um lugar amigo que os recebe na floresta de Lothlórien (bem perto da Floresta das Trevas, onde acontece o "Hobbit"). E depois de atravessarem a floresta (e se separarem) uma parte do grupo chega a um reino de humanos (Rohan) enquanto outra parte para o final da jornada, até a solitária Montanha da Perdição, em Mordor, onde vive o vilão da história, Sauron, que é morto em uma passagem sequer mostrada). Então, o livro e a história poderiam acabar por aí, mas uma surpresa aguarda os leitores nos capítulos finais do livro: o hobbit se vê envolvido em uma guerra por tesouros e territórios, onde raças diferentes se unem (uma passagem, aliás, que se eu ainda não escrevi nada sobre ela no blog, em breve escreverei, e que inclui um vilão sendo morto por um personagem secundário).
"O senhor dos anéis" acaba com Sam, um dos hobbits protagonistas, confortavelmente em casa. E depois ficamos sabendo que muita coisa aconteceu em seu futuro, mas isso não vem ao caso, o que vem ao acaso é que o jogo de luz e sombra, como aponta o ilustrador Alan Lee, é praticamente o mesmo, e da mesma forma, na duas obras. Agora, se isso não basta para convencê-los, meus caros, que tal analisar o fato de Gandalf ficar aparecendo e sumindo ao longo do dois livros? Sim, tanto no "Hobbit" como no "Senhor dos anéis", Gandalf some no início da aventura para procurar informações e enfrentar o vilão(o necromante no "Hobbit" e Saruman no "Senhor dos anéis")) e depois re-aparece em Valfenda, para sumir novamente na saída das Montanhas Solitárias ao enfrentar um vilão (o Necromante no "Hobbit" e o balrog no "Senhor dos anéis"), para, finalmente, ressurgir com força total e com importância decisiva nas batalhas junto ao reino dos homens.
E isso, de alguma forma, tira a magia do "Senhor dos anéis" ou de Tolkien? Não, de forma alguma. Isso é apenas uma porta de interpretação aberta, como a porta de Moria (no "Senhor dos anéis") ou a porta da Montanha Solitária (no "Hobbit"), que ambas estão fechadas, cabe ao intruso sentar na frente e aguardar a resposta ocasional de como abri-la.

Quem são os Nazgul?

Escravos dos Nove Anéis que Sauron forjou para os Homens junto com os ferreiros de Eregion, durante o ano de 1500 Segunda Era do Sol em Arda, os nazgûl formam o máximo em poder e horror no exército de Sauron. Os Espectros do Anel, como também são chamados, correspondem a liderança das tropas de Mordor vestidos como Cavaleiros Negros. Cavaleiros estets que oram cavalgam cavalos negros e amaldiçoados, ora "cavalgam" uma criatura alada distorcida e deformada: o falcão do inferno.
Tudo isso é bem conhecido. A dúvida mesmo fica por conta de quem são os nazgûl e tudo o que o "Senhor dos anéis" nos informa é que são Homens corrompidos pelo poder dos Anéis de Poder. Homens gananciosos por riqueza, poder e longevidade, que se deixaram seduzir pelos tais "nove para Homens mortais, fadados ao eterno sono", dos quais falam os conhecidos versos. E esse nove, por sua vez, estavam subjugados pelo famoso "um anel para todos governar, um anel para encontrá-los, um anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los".
Mais do que isso, ficamos sabendo que seus corpos definharam e suas almas se distorceram, aprisionados por Sauron e suas falsas promessas. E sabemos também, através dos "Contos inacabados de Númenor e da Terra Média" que o segundo nazgûl em comando se chama Khamûl, a "sombra do leste" (na língua negra dos orcs), que tem esse nome graças ao fato de ele provavelmente ter sido um membro do povo Balchoth que habitava a região outrora conhecida como Hithlum. É Khamûl quem assume o ataque dos outros nazgûl quando o Rei dos Bruxos cai na Batalha de Pelennor.
E quem é esse tal de Rei dos Bruxos? Ele é o Senhor dos Nazgûl, o Capitão Negro, A Sombra de Morgul. Seu título de Rei se deve primeiro ao reino de Angmar, nas Montanhas Cinzentas, onde trouxe caos e destruição para o Norte, até fugir para Mordor, ao Sul. Logo depois, seu reinado de horror retornou em Dol Guldur, trazendo maldições para a Floresta das Trevas. E seu título de bruxo se deve as artes de feitiçaria e bruxaria que praticava, que espalhava e que ensinava onde quer que estivesse para os homens de coração negro.
Mas nem só por isso o Rei dos Bruxos tinha esse título, afinal, ele, assim como os outros nazgûl, foram homens de poder enquanto vivos. Homens que ocupavam papéis importantes na sociedade em que viviam. E possivelmente, o Rei dos Bruxos teria sido um homem de Númenor. Talvez, até um rei. Mas então, que rei seria esse? Como ninguém soube? É aqui que começa minha investigação., meu ensaio. Penso que se eu consegui levantar uma teoria satisfatória sobre Tom Bombadil o resto é fácil. E atendendo ao pedido de um amigo, me proponho a destrinhcar um outra teoria incomum sobre a obra de Tolkien.
Pois bem, é sabido (conforme exposto acima) que os anéis de poder surgiram por volta do ano 1500 da Segunda Era. Porém, a sombra de Sauron só caiu sobre Númenor por volta de 1800. Como eram necessários dezenas de anos (ou até mesmo séculos, caso de anões, hobbits e tatlvez um númenoreano) para ser totalmente corrompido pelo poder de um anel mágico e se submeter a vontade Sauron, os nazgûl só foram surgir abertamente no ano de 2251. Com isso, o que temos até agora? Temos que Sauron necessitou pairar sua sombra sobre Númenor, antes de conquistar espaço e confiança o suficiente para encontrar um númenoreano que aceitasse um anel de poder. Mais ainda, foi necessário esperar um bom tempo até que o escolhido se definhasse ao ponto de se tornar um Espectro do Anel e se revelar para a Terra Média. A menos, é claro, que Sauron rapidamente encontrasse um númenoreano ambicioso e facilmente sucetível a corrupção (o que, convenhamos, não era algo difícil de se achar). E também temos a possibilidade de Sauron não ter esperado que o númenoreano se definhasse totalmente até revelá-los em todo o seu poder. Com isso, temos de fato um margem de cerca de 400 anos entre um homem ser escolhido e se tornar um Cavaleiro Negro.
Mas qual númenoreano poderia ser o Rei dos Bruxos? Se pensarmos que foi um rei de Númenor nossas opções de reis para aquela margem de tempo são Tar-Minastir, Tar-Ciryatan e Tar-Atanamir. Para facilitar um pouco as coisas para nós, podemos descartar Tar-Minastir sem problema algum por dois motivos: primeiro, a data em que entregou seu cetro e a data de sua morte são muito longe do surgimento dos nazgûl e muito próximas da chega da sombra de Sauron à Númenor; o segundo e mais consistente motivo é o fato de ter enviado uma esquadra para auxiliar Gil-Glad na primeira guerra contra Sauron.
Sobra nos agora apenas duas opções (a menos que consideremos que a inveja de Minastir pelos elfos e o fato de ter morrido ainda de posse do cetro como marcas de Sauron sobre si). A primeira delas é Tar-Ciryatan, que governou do ano 1869 até o ano 2029, um tempo bem propício para aprovar nossa teoria de que um rei númenoreano seria o Rei dos Bruxos. Outros pontos que corroboram os fatos é que Ciryatan tomou o cetro de seu pai a força e era tão sedento por riqueza e tão poderoso que oprimia os homens da Terra Média em troca de pedras e metais preciosos, de forma a construir uma gigantesca esquadra naval. Acredita-se que ele seja a primeira manifestação da sombra de Sauron contra a paz de Númenor.Então, eis que nos deparamos com Tar-Atanamir, o Grande.
Atanamir nasceu em 1800 e reinou de 2029 até 2221 (lembrando, sempre, que númenoreanos vivem muito mais que um homem comum, graças a linhagem élfica e a escolha de seu ancestral Elros, irmão de Elrond). Durante esse reinado de 192 anos, Atanamir cobrou uma elevada tributação dos homens das costas da Terra Média, mostrando-se ainda mais ganancioso que seu pai. E mostrou-se também mais orgulhoso, quando declarou abertamente seu ódio para com os elfos e seu desejo para que os Valar se afastassem da vida dos númenoreanos. Além de Grande, Atanamir ganhou a alcunha de Petinaz, uma vez que morreu antes de entregar o cetro, já que recusava-se a deixar de reinar ou mesmo a morrer, fazendo dele uma boa opção para o Rei dos Bruxos.
Uma terceira opção, não levantada anteriormente, seria Tar-Ancalimon, que governou até 2386. Claro que essa opção só será possível se acreditarmos que Ancalimon se tornou o Rei dos Bruxos ainda antes de definhar completamente. Ou se pensarmos que o Rei dos Bruxos não se manifestou junto com os outros nazgûl. De qualquer forma, Ancalimon se mostra uma boa opção quando pensamos na cisão que ele criou entre os homens que tinham amizade pelos elfos e homens que o seguiam na luta contra tudo o que fosse de origem élfica. Tal separação originaria, mais tarde, os portos de Umbar (para os númenoreanos) e de Pelargir (para os númenoreanos Fiéis aos Valar).
Como resolver essa dúvida? Bem, ao meu ver a resposta se encontra espalhada entre o "Silmarillion", "o Senhor dos anéis" e o décimo segundo (e último) volume da série "History of Middle Earth", o "The peoples of Middel Earth". Bem, a primeira coisa seria descartar todas as opções acima citadas. Porquê? ora, porque nenhum rei númenoriano forjou a própria morte ou teve seu corpo desaparecido. Logo, nenhum rei númenoriano foi o Rei dos Bruxos. E isso torna todo o texto escrito até agora inútil? De forma alguma, ele serve como suporte para apoiar um teoria.
A teoria de que o Rei dos Bruxos não era um propriamente um rei, mas um dos homens do rei. Ou seja, um homem influente, como Sauron desejava, mas que não chamasse a atenção. E quem poderia ter sido esse homem? A respostat virá com o entendimento dos elementos surgidos a partir da cisão entre Númenor e os Valar, e da criação do porto de Umbar.
Com o "Silmarillion" e o "Senhor dos anéis", ficamos sabendo que antes da queda de Númenor, alguns númenorianos, mas tarde conhecidos como númenorianos negros, migraram para Umbar e lá regeram os homens, migrando novamente depois para o Sul, para Harad. Entre os númenorianos negros mais famosos está o poderoso mensageiro Boca de Sauron, só para termos uma idéia do que estamos falando.
Pois bem, quando vasculhamos o "The peoples of Middle Earth", encontramos textos incabados por Tolkien ou textos rejeitados por Tolkein mas acolhidos por seu filho e editor Christopher. Entre esses textos, encontramos um chamado "The new shadow", que trata de eventos ocorridos 220 anos depois do "Senhor dos anéis". O breve conto seria uma novela de suspense que serviria como continuação apra a história da Terra Média, mas Tolkien acreditava que novas histórias de medo não poderiam mais ser contadas nos tempos de paz.
E o que isso tem a ver com nossa teoria? Tem a ver que nessa história descobrimos que uma espécie de seita "satânica" conhecida como Árvore Negra, cultuava as forças opostas aos Valar e aos ideais de Gondor (ou seja, aos ideais de Eldarion, filho de Aragorn, de linhagem de númenor e amigo dos elfos). Estamos chegando perto agora, não é? Creio que para concluir só falta uma referência: o nome mais invocado pela Árvore Negra, em segredo, é o nome de Herumor (o "Senhor escuro" em quenya, a língua mais nobre dos elfos e que continuou sendo usada em Númenor por medo, mesmo depois de declarado o ódio pelo povo élfico).
Para quem não sabe ou não ligou as pontas, Herumor é um númenoriano negro que aportou em Umbar e foi se unir aos haradrin, ainda durante o reinado de Tar-Ancalimon, embora seja bem provável que ele já vivesse desde o início do reinado de Tar-Atanamir. Por conta disso, não é à toa que os haradin apoiaram Sauron e o reino de Mordor, vizinho do reino de Harad.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Filmagens de O Hobbit adiadas novamente

Ontem Peter Jackson foi operado às pressas devido a uma úlcera perfurada. Ele passa bem (graças a Erú), mas por causa disso as filmagens se atrasaram novamente. Elas estavam previstas para começarem dia 14 de fevereiro.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Christopher Lee de volta como Saruman, o Branco


saruman

No seu site oficial, Christopher Lee diz que, contanto que sua saúde esteja boa, estará de volta a Terra Média como Saruman.
Não está claro se ele irá a Nova Zelândia ou se as filmagens serão feitas em Londres com tela azul e posteriormente digitalizadas. Lee já comentou em várias ocasiões que viajar para Nova Zelândia pode ser muito duro para ele.
Muitas pessoas sugeriram que ele fizesse a voz de Smaug, mas se ele voltar como Saruman acredito que ninguém vá reclamar, certo?
Lee é uma fanático por Tolkien e o conheceu pessoalmente. Ele lê a trilogia todos os anos pelas últimas décadas!
Vida longa a Christopher Lee e que ele seja saudável por muitos e muitos anos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Tolkien: 3º lugar dentre as personalidades mortas mais lucrativas


A matéria (do Terra) é de outubro, mas quase passou despercebida. Trata-se das "personalidades masculinas mortas mais lucrativas".


Os 1º e 2º lugares pertencem a Michael Jackson e Elvis Presley, respectivamente.
Em 3º lugar está.... J.R.R.Tolkien.


Segundo a matéria: "3º colocado, o britânico JR Tolkien (1892-1973) escreveu a saga 'Senhor dos Aneis', que teve continuação com 'The Hobbit' - livro que está virando filme, em produção na Nova Zelândia. Somente no último ano, segundo a empresa Nielsen, o escritor vendeu 500 mil cópias de suas obras. Tem espólio avaliado em US$ 50 milhões".



É triste saber que ele mesmo não desfrutou disso.