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domingo, 5 de dezembro de 2010

Tradução: comparações entre Sda e Harry Potter

Quem visita nosso blog deve ter visto a postagem sobre o texto, em inglês, que compara O Senhor dos Anéis e Harry Potter, disponível em http://www.film.com/features/story/similarities-between-potter-lotr-universes/42697985.

Um amigo da Toca-SP, César “Elfhelm”, gentilmente traduziu e disponibilizou a tradução para nosso blog da Toca. Estou postando aqui. Ainda mais que a Belba comentou que não via semelhanças muito bem.

Abaixo está a tradução.

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AS SEMELHANÇAS ENTRE OS UNIVERSOS DE “HARRY POTTER” E “O SENHOR DOS ANÉIS”
Mergulhamos fundo nos detalhes mais “nerds” e insignificantes. De verdade.
Por Elisabeth Rappe

As histórias de fantasia, em sua grande maioria, surgem de um mesmo “banco de dados” mitológico. De fato, se você estiver pesquisando sobre aspectos esotéricos ou buscando sabedoria nessas narrativas, saiba que toda história – em especial as do gênero “espada e feitiçaria”- apresenta o mesmo arquétipo da “jornada do herói” proposto por Joseph Campbell. Toda história fantástica – Rei Artur, O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia, Willow, Peter Pan, Conan, o Bárbaro – constrói seu mundo próprio a partir dos mesmos objetos. Temos magos, dragões, unicórnios, gnomos e elfos surgindo inesperadamente em batalhas e lutas, saindo de textos e tapeçarias medievais, para invadir nossas modernas telas de cinema 3D.
Muitos escritores, como o genial J.R.R.Tolkien, dedicaram-se, a seu modo, aos estudos de Língua e Literatura e se utilizaram dessas fontes para criarem seus mundos. A Terra-média nada mais é do que uma encantadora salada mitológica de países como Finlândia, Noruega e outros de cultura anglo-saxã, apesar de que, a maioria de seus habitantes tenha “nascido” no verso de uma prova. Um dia, Tolkien rabiscou “Numa toca no chão vivia um hobbit”. Decidido a descobrir o que era um “hobbit”, surgia, naquele momento, uma saga inteira.
Harry Potter nasceu de forma semelhante durante uma viagem de trem. J.K.Rowling olhou pela janela e imaginou um menino solitário lançado em um novo mundo. Rowling criou uma mitologia quase tão complexa quanto à de Tolkien. (uma olhada no verbete sobre Harry Potter na Wikipedia mostra genealogias de famílias, doenças e batalhas sequer discutidas ou apresentadas ao longo dos sete livros). Mas a “mãe” do bruxinho foi muito cuidadosa na invenção de seus mundos, e seus magos foram “emprestados” das lendas arturianas, da mitologia grega, do período medieval, e principalmente, de Tolkien. Alguns a acusam de plágio (e, com certeza, aqui e ali podem haver alguns elementos de outros autores), mas Rowling o fez de um jeito que Potter se estabelece como o último representante dentro de uma tradição que inclui Merlin e Gandalf. É mais uma grande mitologia do que uma história isolada e independente.

Para aqueles que nunca leram Harry Potter e O Senhor dos Anéis e que, por falta de uma memória prodigiosa não conseguem guardar todos os detalhes e semelhanças, não se preocupe, eu encarei essa demanda. Desprezei coisas óbvias e lugares comuns tais como Frodo e Harry como heróis, magos com longas barbas e chapéus pontudos, batalhas com dragões e trolls. Escolhi temas específicos, objetos e cenas. Da mesma forma, você não vai encontrar aqui uma análise profunda das histórias, tampouco se surpreender com suas semelhanças. Você poderá rir de minha obsessão em polemizar, mas, convenhamos, este assunto aqui não é um bate-papo qualquer né?

1. Há muito tempo, num país chamado Inglaterra
Como qualquer fã de Tolkien dirá a você – um daqueles bem nerds – a Terra-média é o nosso planeta mesmo, mas numa forma pré-histórica. Da mesma forma, a série de J.K.Rowling é “arcaica”, pois as histórias de Harry Potter se passam na década de 90 (a batalha final de “Relíquias da Morte” ocorre em 1998). Enquanto os jovens leitores de Harry o veem como o menino-herói contemporâneo, o fato é que o bruxinho já tem idade suficiente para ser pai desses mesmos leitores. Você não vive se perguntando porque será que o Harry nunca fala em twitter, MSN, orkut e toda essas modernidades tecnológicas dos nossos dias?

2. Nada de bibliotecárias sexy entre magos e bruxas
Imagino que os magos se comportam como qualquer sábio em constantes conflitos. Suas mentes trabalham sem parar e eles não têm tempo a perder organizando ou compilando toda essa sabedoria para as gerações futuras. Tanto o Um Anel como as Relíquias da Morte são objetos supostamente desaparecidos (juntamente com aquela horrenda Câmara Secreta!) porém, nas mãos de uns poucos malucos de plantão, tornam-se peças que causam a maior confusão e discórdia. E são tão sinistros que muitos acreditam que sua existência não passa de lenda, vamos dizer, são as “lendas urbanas” daquela época. Isso se torna um perigo quando o desejo desses objetos pelos “senhores do Mal” (Sauron, Voldemort), é justificado através daquela velha conversa fiada de ajudar a melhorar o mundo escravizando-o.

3. No princípio, Sauron e Voldemort eram pessoas comuns
Para os leitores de O Senhor dos Anéis, Sauron é a força do Mal, imensa e sem rosto. O alcance de seu poder atravessa os séculos, ele reina sobre uma região inóspita e completamente sem vida. Mas os nerds que conhecem O Silmarillion de ponta-cabeça e de trás-pra-frente, sabem muito bem que O Inominável Senhor do Escuro não passa de mera cópia de seu comandante Morgoth. Sauron era (para usar um termo básico) um mago como Gandalf, porém corrompeu-se e foi contaminado pela maldade de Morgoth. Da mesma forma, Voldemort apareceu como um simples mago mestiço chamado Tom Riddle. Sim, várias circunstâncias levaram à criação de Voldemort – principalmente uma infância solitária – e alguns chegam a salientar a influência negativa de Salazar Sonserina (de quem o vilão é descendente) como um caminho para o “lado escuro da Força”.

4. Gandalf e Dumbledore são geniais, porém, estranhamente inúteis
Não me odeie por isso! Eu já li um monte de coisas sobre mitologia e literatura, e sei que a tarefa de todo mentor é, num certo momento, cortar o cordão umbilical e jogar seu pupilo direto no campo de batalha. Sei também que nem Gandalf nem Dumbledore tinham talento para correr riscos. Mas como um leitor que se identifica pra valer com Frodo ou Harry, você pode se questionar porque nenhum dos magos deu a seus discípulos um pouquinho mais de ajuda ou alguma instrução acerca do que deveria ser feito, enquanto podiam. Uma runa misteriosa rabiscada num livro parece totalmente inútil quando você precisa fugir desesperado dos Comensais da Morte. E uma frase do tipo “Não iremos pela passagem de Cirith Ungol”, antes da Comitiva do Anel ter deixado Valfenda, teria sido de grande ajuda para Frodo.

5. “Plim-plim” mágico
O Um Anel está carregado com o poder de Sauron, e instila uma influência maléfica a todos aqueles que o usam, manuseiam ou simplesmente ficam próximos a ele. As Horcruxes têm um efeito semelhante, como se vê em “Harry Potter e a Câmara Secreta,”quando o diário de Riddle acaba “possuindo” Gina Weasley. O medalhão de Sonserina provoca tanto mal em Harry, Ron e Hermione que os garotos precisam se revezar em turnos para usá-lo, tamanha é sua influência nefasta.

6. Aranhas. Por que sempre aranhas?
Tolkien morria de medo de aranhas. Por esse motivo é que O Hobbit e As Duas Torres mostram alguns dos aracnídeos mais nojentos e repugnantes em ação nos livros e no cinema. E é claro, elas já estavam lá, nos primórdios da Terra-média e na Floresta Proibida em Hogwarts, esperando seus incautos visitantes para, digamos, “fazer uma boquinha”. Você se lembra do nome do Rei das Aranhas? Aragogue. Fico aqui pensando se isso não seria uma corruptela de Aragorn ou talvez uma deturpação lingüística de Hagrid.

7. Um pouco de confusão no Bem/ Más notícias aqui
Sabemos que nem tudo está perdido quando nos confrontamos com o ser humano e com os hobbits. Ah, qual é, Voldemort está morto. O Um Anel? Sumiu! Pare de chorar e seja feliz. Mas então.... um olho do Mal reaparece em Mordor...a Marca Negra é vista na Inglaterra e você se dá conta de que aquele velho maluco e seu parceiro estavam certos o tempo todo.

8. Uma arma elegante para tempos civilizados
Espadas lendárias fazem parte da mitologia desde que aprendemos a lidar com o metal, e aparecem aos montes à medida que a civilização aprimora sua tecnologia de construção. Um herói como Aragorn precisou de uma quase Excalibur e Tolkien lhe entrega Andúril, a Chama do Oeste. Por outro lado, o mundo potteriano precisa de varinhas e encantamentos nas suas batalhas contra o Mal; a exceção aqui é a espada de Godrico Grifinória que pode derrotar o basilisco e as Horcruxes.

9. Demônios cobertos de horror
Um senhor do mal pode ser tão assustador quanto os seus servos, enviados por ele para te pegar. Os servos de Sauron são os nove Espectros do Anel. Seu grito, de tão terrível, pode acordar os mortos (metaforicamente) e suas espadas podem corromper sua alma, tornando-o um deles. Voldemort dispõe de algo bem parecido, os Dementadores. Silenciosos, incutem o medo e a tristeza, sugando sua alma até as últimas conseqüências.

10. Os zumbis d´água
Todos gostam de zumbis e fantasmas, então não é de se espantar que os vejamos organizados em exércitos aqui e ali em Tolkien e Rowling (o Exército dos Mortos ou os Inferi de Voldemort). Da mesma forma, Harry e Frodo deparam-se com cadáveres podres na água. Os Pântanos Mortos de Tolkien (uma influência dos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial) são etéreos e sedutores, atraindo Frodo para a água com sussurros e luzes medonhas. Voldemort usa seus Inferi em vários lugares, mas apenas os encontramos naquela úmida e fria caverna, prontos para atacar os descuidados.

11. Derrame minha Luz sobre o Mal
Frodo deve ir a Mordor sem muitos recursos, a não ser um pequeno frasco de cristal contendo água da fonte de Galadriel. Esta é sua única e mais importante “arma”, pois representa a luz de Earendil, “Que essa luz ilumine os lugares escuros por onde passar, quando todas as outras luzes se apagarem.”Ele serve muito bem a Frodo e Sam, a ponto de aliviar as dores e o cansaço provocados pelo “peso” do Um Anel. O desiluminador de Dumbledore parece mais simples se comparado ao frasco – lembra um isqueiro que “rouba” e armazena a luz – porém, em “Relíquias da Morte”, descobrimos outras funções do aparelhinho mágico: ele pode armazenar uma luz diferente, que leva Rony de volta para Hermione, depois do garoto ter ouvido o nome dela, sugerindo, assim, que o desiluminador também pode servir de consolo e alívio nas horas difíceis.

12. Se você é o que você come, então quero comer a “sua” melhor parte...
Para um lugar (Inglaterra) universalmente (e injustamente, diga-se) ridicularizado por sua culinária, é curioso ver que tanto Harry Potter quanto O Senhor dos Anéis, apresentam as mais finas iguarias e pratos de dar água na boca. Essa “culinária fantástica”, pode-se afirmar sem sombra de dúvida, é sublime. Está lembrado dos lanches e dos “chazinhos” do Bilbo nO Hobbit? E o que dizer da inexperiente Sociedade do Anel que muito deve a Tom Bombadil e aos elfos por suas refeições maravilhosas? Até o lembas parece delicioso! A comida em Harry Potter é ainda mais fantástica. Cerveja amanteigada, tortinhas de abóbora, feijõezinhos de todos os sabores, as restauradoras refeições preparadas pelos elfos domésticos e pela Sra. Weasley, são o suficiente para - depois da leitura - levar você a atacar a geladeira.

13. Eles não fabricam mais isso
Um ponto crucial de toda mitologia é que sempre iremos encontrar alguns seres supremos e inteligentes. Em O Senhor dos Anéis, são os Elfos que detêm todo o conhecimento ao longo das eras. Tudo o que é élfico (armas e armaduras, comida, construções, arte e poesia) ou mesmo feito pelos anões é superior a qualquer coisa criada por humanos ou hobbits. Harry Potter trabalha com isso de forma parecida, mas Rowling vê a coisa sem tanto glamour assim. A Espada de Grifinória, por exemplo, um objeto nobre e valioso, foi feita por duendes.


Trad. César “Elfhelm” Patoulos (dez.2010)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A nova tradução de SdA pela Martins Fontes

No encontro da Torre Branca no último sábado (diga-se de passagem: foi sensacional!), dentre várias nerdices, comentamos a respeito da nova tradução de "O Senhor dos Anéis".

Com todos os erros grotescos da tradução atual, todos pensavam que a nova tradução iria, além de corrigir os erros e omissões, ter um texto que nos [os brasileiros] aproximasse mais do texto original.

Para muitos não é nenhuma surpresa que essa nova tradução será.... UM LIXO! Pronto, falei! O Kyrmse conseguiu o inimaginável: ser PIOR que a Dona Lenita, tradutora da versão que todos nós conhecemos.

Ok. Vocês devem estar pensando que estou sendo radical demais por algo que ainda nem foi publicado (bom, espero que o texto novo, o pendrive, o disquete, a CPU ou onde quer que tenha sido gravado, pegue fogo).

Fui desencavar um excelente texto postado na Valinor, no ano passado, a respeito da maledeta nova tradução.

Abaixo, posto um trecho.

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[retirado da Valinor]

O texto está sendo preparado, a pedido da Editora Martins Fontes, pela dupla de tradutores Waldéa Barcellos (a mesma de “O Silmarillion”) e Ronald Kyrmse, responsáveis, respectivamente, por verter as partes em prosa e os poemas para o português.

A análise abaixo não é exaustiva, mas dá uma boa idéia do que vem por aí. Como jornalista, sei mais do que ninguém que a tão falada imparcialidade não existe, no fundo; mas tentarei ser o mais equilibrado possível, descrevendo fatos e deixando que os leitores de Tolkien que conhecem a tradução atual e/ou o texto original tirem suas próprias conclusões. Os comentários se registrem, por enquanto, ao primeiro volume, “A Sociedade do Anel”.

Aqui vamos nós.

Clareza
Ao contrário das edições anteriores do livro, a nova deve incluir uma “Nota sobre a tradução brasileira”. A iniciativa deve acabar com as eternas dúvidas dos leitores de primeira viagem, mostrando que Tolkien na verdade recomendava a tradução dos nomes de personagens e lugares. O texto também conta quais as referências deixadas por Tolkien para que esse trabalho complicado acontecesse da forma correta. Dá, além disso, exemplos de alguns nomes traduzidos de acordo com essas regras. Em resumo, aumenta um bocado a clareza em relação à tradução.

Poemas
O Verso do Anel, assim como os demais poemas, ganharam versões totalmente novas (o Verso do Anel agora termina com “onde a Sombra desceu”). São tentativas caprichadas de reproduzir a métrica do original, mas pelo menos algumas delas parecem ter fracassado nisso.

Estou me referindo a uma citação, já na nota inicial, de um poema de Rohan. Dá para ver que Kyrmse tentou usar as famosas aliterações – a repetição da mesma consoante no verso, que é típica da métrica usada por Tolkien nesses poemas. Mas ela é usada de forma errada, porque o importante da aliteração nesse tipo de verso é que ela ocorra na sílaba tônica das palavras, e não em qualquer sílaba. Resta saber se nos demais livros isso poderá ser corrigido.

Nomenclatura
Chegamos ao quesito que, sem dúvida nenhuma, vai causar mais polêmica. Kyrmse e Barcellos decidiram fazer uma intervenção “cirúrgica”, mas crucial, nos nomes de duas principais raças da Terra-média. Os atuais anões estão batizados de “ananos” na nova tradução; os hobbits continuam sendo hobbits, mas seu “nome alternativo” (“pequenos”, na tradução atual; “halflings” em inglês) ganhou a tradução de “meões”.
A equipe diz ter baseado sua decisão nos próprios termos originais tolkienianos. Em seus comentários, Tolkien deixa claro que seus anões não têm nada a ver com humanos com nanismo, e conta que prefere usar um plural diferenciado – dwarves, em vez de dwarfs, que seria o gramaticalmente correto – para marcar isso. Seria uma forma histórica da palavra. A tradução brasileira segue essa linha, mas apaga a diferença entre o singular regular e o plural irregular – talvez, a rigor, o certo seria “anão – ananos”, e não “anano – ananos”, se a idéia era seguir Tolkien a risca.

Já “meão, meões” explora o fato de que “halfling” quer dizer algo como “alguém com metade do tamanho normal”. No entanto, a terminação da palavra em inglês sugere um diminutivo, outra junção adequada de forma e conteúdo, enquanto a da nova versão é... bem, com “ão”, sugerindo algo grande. Cria-se um ruído.

As outras mudanças são de menor escala. Um exemplo é a Terra dos Buques, que virou Boquelândia.

Estilo
O estilo geral do texto é o que chama menos atenção na primeira batida de olhos, mas talvez seja o mais importante numa obra em prosa como “O Senhor dos Anéis”. Nesse ponto, a nova tradução não inova (sacaram? Sacaram?). Ela não segue de muito perto o estilo recheado de inversões e arcaísmos de Tolkien. Em português, optou-se por algo mais coloquial e modernizado.

Alguns exemplos: quando, no prólogo, fala-se das terras do Reino do Norte que estavam sendo abandonadas, a tradução diz “e todas as terras estavam se tornando improdutivas” (eu não consegui deixar de pensar nos sem-terra invadindo o Condado...). Mais tarde, diz-se que “os hobbits se alfabetizaram” (o original diz “aprenderam suas letras”). Na maioria dos trechos em que Tolkien usa uma sintaxe mais complicada, com inversões, a tendência é que o texto em português simplifique isso.

Conclusão
Ainda é cedo para fazer um julgamento de valor sobre a nova tradução, até porque ainda falta a análise detalhada dos dois próximos volumes, que pretendo fazer aqui na Valinor conforme for possível. (Segundo a Martins Fontes, não há pressa para o lançamento, porque eles ainda possuem muitos exemplares da edição atual em estoque.)

Contudo, a impressão inicial é que a nova tradução ousa onde talvez não precise ousar (mexendo em termos tão consolidados quanto “meões” e “ananos”) e acaba sendo tímida justamente onde poderia ser mais audaciosa, retratando o estilo de Tolkien em português de forma mais parecida com seu estilo na língua original. Isso provavelmente se deve a uma preocupação com o que os leitores seriam capazes de assimilar sem dificuldade de entendimento, segundo o padrão das editoras brasileiras. No final, é claro, quem deverá fazer esse julgamento é o próprio público.


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É ou não é uma DROGA?