sábado, 25 de dezembro de 2010

Desafio 2010 do TolkienGroup


O TolkienGroup, do Fanfiction.net, é um grupo que reúne fãs de Tolkien, mas composto por aqueles que gostam de escrever fan-fics.

Agora o grupo está publicando os trabalhos que participaram do Desafio 2010, reunindo fanfics tolkenianos de diversos autores no fanficnet, e convidam os interessados e curiosos a dar uma conferida, no link: http://www.fanfiction.net/s/6586504/1/

Quem quiser se inscrever-se no grupo: http://www.fanfiction.net/u/2650102/TolkienGroup

25 de dezembro: uma data especial na Terra-Média

25 de dezembro de 3018 da Terceira Era
Após ficarem 2 meses em Valfenda, aguardando o retorno de emissários que haviam sido enviados por Elrond para sondar o terreno, a Sociedade do Anel, finalmente parte rumo a Mordor.

Era o início de uma jornada de muitas tristezas, alegrias, heroísmo e vitórias.

Animação "O Senhor dos Anéis" no iTunes

A animação "O Senhor dos Anéis", de 1978, dirigida por Ralph Bakshi, ganhou a versão em alta definição pelo iTunes (http://www.apple.com/itunes/download/).

As vozes são feitas por John Hurt and Anthony Daniels (da trilogia Star Wars).

O valor? U$ 2.99 para alugar e U$ 9.99 para comprar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Encontro de final de ano da Torre Branca

Amigos amados, adorados, salve, salve!

Usando das atribuições que lhe são conferidas pelo cargo, a presidente Belba (que nunca foi eleita num processo democrático), decretou o Encontro de Final de Ano.
Vejam as as palavras da Excelentíssima abaixo:

Encontro da Torre Branca, dia 19 de dezembro, às 16:30 no Parque Curupira.
Cada pessoa deverá levar um presentinho unissex e genérico e se fará um amigo secreto na hora.
Meninos refrigerante e meninas comida.
E tendo assim dito, assim falei.
Belba



Embora quisesse ter dado informações definitivas, a Excelentíssima falhou em não completar as informações:

- não usamos copos descartáveis em respeito ao Meio Ambiente. Portanto, levem algo para tomar refri;
- o parque é cheio de terra, grama : portanto, levem algo para se sentar;
- o ponto de encontro é na cantina.

É isso.
Todos, todos, todos.... todos mesmo, estão convidados, mesmo que nunca tenha visto ninguém do grupo.
Queremos conhecer pessoas novas, fazer amizades, etc, etc, etc....

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tradução: comparações entre Sda e Harry Potter

Quem visita nosso blog deve ter visto a postagem sobre o texto, em inglês, que compara O Senhor dos Anéis e Harry Potter, disponível em http://www.film.com/features/story/similarities-between-potter-lotr-universes/42697985.

Um amigo da Toca-SP, César “Elfhelm”, gentilmente traduziu e disponibilizou a tradução para nosso blog da Toca. Estou postando aqui. Ainda mais que a Belba comentou que não via semelhanças muito bem.

Abaixo está a tradução.

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AS SEMELHANÇAS ENTRE OS UNIVERSOS DE “HARRY POTTER” E “O SENHOR DOS ANÉIS”
Mergulhamos fundo nos detalhes mais “nerds” e insignificantes. De verdade.
Por Elisabeth Rappe

As histórias de fantasia, em sua grande maioria, surgem de um mesmo “banco de dados” mitológico. De fato, se você estiver pesquisando sobre aspectos esotéricos ou buscando sabedoria nessas narrativas, saiba que toda história – em especial as do gênero “espada e feitiçaria”- apresenta o mesmo arquétipo da “jornada do herói” proposto por Joseph Campbell. Toda história fantástica – Rei Artur, O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia, Willow, Peter Pan, Conan, o Bárbaro – constrói seu mundo próprio a partir dos mesmos objetos. Temos magos, dragões, unicórnios, gnomos e elfos surgindo inesperadamente em batalhas e lutas, saindo de textos e tapeçarias medievais, para invadir nossas modernas telas de cinema 3D.
Muitos escritores, como o genial J.R.R.Tolkien, dedicaram-se, a seu modo, aos estudos de Língua e Literatura e se utilizaram dessas fontes para criarem seus mundos. A Terra-média nada mais é do que uma encantadora salada mitológica de países como Finlândia, Noruega e outros de cultura anglo-saxã, apesar de que, a maioria de seus habitantes tenha “nascido” no verso de uma prova. Um dia, Tolkien rabiscou “Numa toca no chão vivia um hobbit”. Decidido a descobrir o que era um “hobbit”, surgia, naquele momento, uma saga inteira.
Harry Potter nasceu de forma semelhante durante uma viagem de trem. J.K.Rowling olhou pela janela e imaginou um menino solitário lançado em um novo mundo. Rowling criou uma mitologia quase tão complexa quanto à de Tolkien. (uma olhada no verbete sobre Harry Potter na Wikipedia mostra genealogias de famílias, doenças e batalhas sequer discutidas ou apresentadas ao longo dos sete livros). Mas a “mãe” do bruxinho foi muito cuidadosa na invenção de seus mundos, e seus magos foram “emprestados” das lendas arturianas, da mitologia grega, do período medieval, e principalmente, de Tolkien. Alguns a acusam de plágio (e, com certeza, aqui e ali podem haver alguns elementos de outros autores), mas Rowling o fez de um jeito que Potter se estabelece como o último representante dentro de uma tradição que inclui Merlin e Gandalf. É mais uma grande mitologia do que uma história isolada e independente.

Para aqueles que nunca leram Harry Potter e O Senhor dos Anéis e que, por falta de uma memória prodigiosa não conseguem guardar todos os detalhes e semelhanças, não se preocupe, eu encarei essa demanda. Desprezei coisas óbvias e lugares comuns tais como Frodo e Harry como heróis, magos com longas barbas e chapéus pontudos, batalhas com dragões e trolls. Escolhi temas específicos, objetos e cenas. Da mesma forma, você não vai encontrar aqui uma análise profunda das histórias, tampouco se surpreender com suas semelhanças. Você poderá rir de minha obsessão em polemizar, mas, convenhamos, este assunto aqui não é um bate-papo qualquer né?

1. Há muito tempo, num país chamado Inglaterra
Como qualquer fã de Tolkien dirá a você – um daqueles bem nerds – a Terra-média é o nosso planeta mesmo, mas numa forma pré-histórica. Da mesma forma, a série de J.K.Rowling é “arcaica”, pois as histórias de Harry Potter se passam na década de 90 (a batalha final de “Relíquias da Morte” ocorre em 1998). Enquanto os jovens leitores de Harry o veem como o menino-herói contemporâneo, o fato é que o bruxinho já tem idade suficiente para ser pai desses mesmos leitores. Você não vive se perguntando porque será que o Harry nunca fala em twitter, MSN, orkut e toda essas modernidades tecnológicas dos nossos dias?

2. Nada de bibliotecárias sexy entre magos e bruxas
Imagino que os magos se comportam como qualquer sábio em constantes conflitos. Suas mentes trabalham sem parar e eles não têm tempo a perder organizando ou compilando toda essa sabedoria para as gerações futuras. Tanto o Um Anel como as Relíquias da Morte são objetos supostamente desaparecidos (juntamente com aquela horrenda Câmara Secreta!) porém, nas mãos de uns poucos malucos de plantão, tornam-se peças que causam a maior confusão e discórdia. E são tão sinistros que muitos acreditam que sua existência não passa de lenda, vamos dizer, são as “lendas urbanas” daquela época. Isso se torna um perigo quando o desejo desses objetos pelos “senhores do Mal” (Sauron, Voldemort), é justificado através daquela velha conversa fiada de ajudar a melhorar o mundo escravizando-o.

3. No princípio, Sauron e Voldemort eram pessoas comuns
Para os leitores de O Senhor dos Anéis, Sauron é a força do Mal, imensa e sem rosto. O alcance de seu poder atravessa os séculos, ele reina sobre uma região inóspita e completamente sem vida. Mas os nerds que conhecem O Silmarillion de ponta-cabeça e de trás-pra-frente, sabem muito bem que O Inominável Senhor do Escuro não passa de mera cópia de seu comandante Morgoth. Sauron era (para usar um termo básico) um mago como Gandalf, porém corrompeu-se e foi contaminado pela maldade de Morgoth. Da mesma forma, Voldemort apareceu como um simples mago mestiço chamado Tom Riddle. Sim, várias circunstâncias levaram à criação de Voldemort – principalmente uma infância solitária – e alguns chegam a salientar a influência negativa de Salazar Sonserina (de quem o vilão é descendente) como um caminho para o “lado escuro da Força”.

4. Gandalf e Dumbledore são geniais, porém, estranhamente inúteis
Não me odeie por isso! Eu já li um monte de coisas sobre mitologia e literatura, e sei que a tarefa de todo mentor é, num certo momento, cortar o cordão umbilical e jogar seu pupilo direto no campo de batalha. Sei também que nem Gandalf nem Dumbledore tinham talento para correr riscos. Mas como um leitor que se identifica pra valer com Frodo ou Harry, você pode se questionar porque nenhum dos magos deu a seus discípulos um pouquinho mais de ajuda ou alguma instrução acerca do que deveria ser feito, enquanto podiam. Uma runa misteriosa rabiscada num livro parece totalmente inútil quando você precisa fugir desesperado dos Comensais da Morte. E uma frase do tipo “Não iremos pela passagem de Cirith Ungol”, antes da Comitiva do Anel ter deixado Valfenda, teria sido de grande ajuda para Frodo.

5. “Plim-plim” mágico
O Um Anel está carregado com o poder de Sauron, e instila uma influência maléfica a todos aqueles que o usam, manuseiam ou simplesmente ficam próximos a ele. As Horcruxes têm um efeito semelhante, como se vê em “Harry Potter e a Câmara Secreta,”quando o diário de Riddle acaba “possuindo” Gina Weasley. O medalhão de Sonserina provoca tanto mal em Harry, Ron e Hermione que os garotos precisam se revezar em turnos para usá-lo, tamanha é sua influência nefasta.

6. Aranhas. Por que sempre aranhas?
Tolkien morria de medo de aranhas. Por esse motivo é que O Hobbit e As Duas Torres mostram alguns dos aracnídeos mais nojentos e repugnantes em ação nos livros e no cinema. E é claro, elas já estavam lá, nos primórdios da Terra-média e na Floresta Proibida em Hogwarts, esperando seus incautos visitantes para, digamos, “fazer uma boquinha”. Você se lembra do nome do Rei das Aranhas? Aragogue. Fico aqui pensando se isso não seria uma corruptela de Aragorn ou talvez uma deturpação lingüística de Hagrid.

7. Um pouco de confusão no Bem/ Más notícias aqui
Sabemos que nem tudo está perdido quando nos confrontamos com o ser humano e com os hobbits. Ah, qual é, Voldemort está morto. O Um Anel? Sumiu! Pare de chorar e seja feliz. Mas então.... um olho do Mal reaparece em Mordor...a Marca Negra é vista na Inglaterra e você se dá conta de que aquele velho maluco e seu parceiro estavam certos o tempo todo.

8. Uma arma elegante para tempos civilizados
Espadas lendárias fazem parte da mitologia desde que aprendemos a lidar com o metal, e aparecem aos montes à medida que a civilização aprimora sua tecnologia de construção. Um herói como Aragorn precisou de uma quase Excalibur e Tolkien lhe entrega Andúril, a Chama do Oeste. Por outro lado, o mundo potteriano precisa de varinhas e encantamentos nas suas batalhas contra o Mal; a exceção aqui é a espada de Godrico Grifinória que pode derrotar o basilisco e as Horcruxes.

9. Demônios cobertos de horror
Um senhor do mal pode ser tão assustador quanto os seus servos, enviados por ele para te pegar. Os servos de Sauron são os nove Espectros do Anel. Seu grito, de tão terrível, pode acordar os mortos (metaforicamente) e suas espadas podem corromper sua alma, tornando-o um deles. Voldemort dispõe de algo bem parecido, os Dementadores. Silenciosos, incutem o medo e a tristeza, sugando sua alma até as últimas conseqüências.

10. Os zumbis d´água
Todos gostam de zumbis e fantasmas, então não é de se espantar que os vejamos organizados em exércitos aqui e ali em Tolkien e Rowling (o Exército dos Mortos ou os Inferi de Voldemort). Da mesma forma, Harry e Frodo deparam-se com cadáveres podres na água. Os Pântanos Mortos de Tolkien (uma influência dos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial) são etéreos e sedutores, atraindo Frodo para a água com sussurros e luzes medonhas. Voldemort usa seus Inferi em vários lugares, mas apenas os encontramos naquela úmida e fria caverna, prontos para atacar os descuidados.

11. Derrame minha Luz sobre o Mal
Frodo deve ir a Mordor sem muitos recursos, a não ser um pequeno frasco de cristal contendo água da fonte de Galadriel. Esta é sua única e mais importante “arma”, pois representa a luz de Earendil, “Que essa luz ilumine os lugares escuros por onde passar, quando todas as outras luzes se apagarem.”Ele serve muito bem a Frodo e Sam, a ponto de aliviar as dores e o cansaço provocados pelo “peso” do Um Anel. O desiluminador de Dumbledore parece mais simples se comparado ao frasco – lembra um isqueiro que “rouba” e armazena a luz – porém, em “Relíquias da Morte”, descobrimos outras funções do aparelhinho mágico: ele pode armazenar uma luz diferente, que leva Rony de volta para Hermione, depois do garoto ter ouvido o nome dela, sugerindo, assim, que o desiluminador também pode servir de consolo e alívio nas horas difíceis.

12. Se você é o que você come, então quero comer a “sua” melhor parte...
Para um lugar (Inglaterra) universalmente (e injustamente, diga-se) ridicularizado por sua culinária, é curioso ver que tanto Harry Potter quanto O Senhor dos Anéis, apresentam as mais finas iguarias e pratos de dar água na boca. Essa “culinária fantástica”, pode-se afirmar sem sombra de dúvida, é sublime. Está lembrado dos lanches e dos “chazinhos” do Bilbo nO Hobbit? E o que dizer da inexperiente Sociedade do Anel que muito deve a Tom Bombadil e aos elfos por suas refeições maravilhosas? Até o lembas parece delicioso! A comida em Harry Potter é ainda mais fantástica. Cerveja amanteigada, tortinhas de abóbora, feijõezinhos de todos os sabores, as restauradoras refeições preparadas pelos elfos domésticos e pela Sra. Weasley, são o suficiente para - depois da leitura - levar você a atacar a geladeira.

13. Eles não fabricam mais isso
Um ponto crucial de toda mitologia é que sempre iremos encontrar alguns seres supremos e inteligentes. Em O Senhor dos Anéis, são os Elfos que detêm todo o conhecimento ao longo das eras. Tudo o que é élfico (armas e armaduras, comida, construções, arte e poesia) ou mesmo feito pelos anões é superior a qualquer coisa criada por humanos ou hobbits. Harry Potter trabalha com isso de forma parecida, mas Rowling vê a coisa sem tanto glamour assim. A Espada de Grifinória, por exemplo, um objeto nobre e valioso, foi feita por duendes.


Trad. César “Elfhelm” Patoulos (dez.2010)

domingo, 28 de novembro de 2010

Confirmado: Ian McKellen será Gandalf

Ian McKellen escreveu, em seu site, o que todos estavam esperando: a confirmação de sua presença no elenco de "O Hobbit".

Nas palavras dele:

"Os dois filmes de ‘o Hobbit’ começam a ser filmados na Nova Zelândia em fevereiro de 2011. Filmagens terão mais de um ano. A seleção de elenco em Los Angeles, Nova York e Londres já começou. O roteiro também continua. O primeiro rascunho está repleto de antigos e novos amigos, mais uma vez em uma missão na Terra Média."


Quem quiser ver a postagem, acesse o blog do Ian: http://www.mckellen.com/cinema/index1.htm

Comparações: O Senhor dos Anéis e Harry Potter

São inevitáveis as comparações entre O Senhor dos Anéis e Harry Potter.

Neste link: http://www.film.com/features/story/similarities-between-potter-lotr-universes/42697985

Há um texto bem legal com comparações (em inglês).

Elenco de O Hobbit parcialmente confirmado


Muitos já sabem, mas ...: elenco de O Hobbit parcialmente confirmado.


Na lista estão:


Bilbo: Martin Freeman (de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”) ...veja foto

Gandalf: Ian McKellen ... que dispensa apresentações

Thórin Escudo-de-Carvalho: Richard Armitage

Kili: Aidan Turner

Fili: Rob Kazinsky

Dwalin: Graham McTavish

Oin: John CallenBombur: Stephen Hunter

Dori: Mark Hadlow

Gloin: Peter Hambleton

Gollum: Andy Serkis... como sempre

O Senhor dos Anéis - versão estendida


Para quem ainda procura onde compras as versões estendidas de "O Senhor dos Anéis":




terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Dádiva dos Homens


Uma das cenas que mais gosto nos filmes (e nem mesmo está nos livros) é a morte de Haldir. É para mim uma cena encantadora, o som da batalha desaparece logo depois do zumbido da lâmina que lhe corta as entranhas, os olhos e a boca esbugalham, a transpiração, o momento em que se dá conta que existem outros rostos mortos no chão enquanto você cai. Você era um guerreiro e lutava sobre os mortos, mas agora está de joelhos e caindo para se tornar um deles e outros lutarão em cima de ti. O elfo Haldir prova da dádiva que Ilúvatar concede aos homens: a morte.

A morte sozinha já é incrível: algo que existia... deixar de existir. Ela é tão incrível quanto o seu oposto, o nascimento, ambas as idéias são por demais abstratas até mesmo para nossos cérebros pensantes e não é a toa que é tema de todas as religiões e mitologias, além é claro da própria ciência, da literatura (e da arte, de uma maneira geral) e de muitas das infinitas esferas da humanidade.

O que eu gosto dessa cena é que além de ser a morte, é a morte de um eldar. Um dos do belo povo, dos sábios, da representação do ser humano como ele deveria ter sido se não fosse ganancioso, corrupto e se soubesse estabelecer uma relação melhor com a natureza. Os elfos são para os homens, como Gandalf é para Saruman.

A morte então para eles tem um efeito ainda mais incrível que para nós. Quando Théoden morre, eu fiquei chateado, ele era (e ainda é) o meu herói de O Senhor dos Anéis. Mas não fiquei completamente chateado, isso era previsível, além disso ele queria isso, ele tentou morrer em combate no Abismo de Helm, o seu grito de guerra é justamente a "MORTEEEEE", ele não teme nada, ele inspira medo nos orcs (que pensam que Théoden é na verdade o vala Oromë cavalgando em sua direção, nada menos que um deus - [imortal?]) e vejam que orc é a palavra latim para morte. Dessa forma, quando Théoden morre feliz, "partindo com orgulho para os palácios de seus antepassados, cujo em grande companhia não se sentirá envergonhado", eu fiquei em partes feliz, pois sabia que Théoden estava cumprindo seu "destino", enquanto mortal.

Mas a morte para os elfos é algo ainda mais estupendo, pois enquanto para os homens a morte é (lamentavelmente) natural, para os elfos é algo impensável, intangível, uma vez que quando a "casa cai" na Terra-Média, eles sempre podem pegar seus navios e partirem para o Oeste. Fugindo do terror da condição humana.

No livro, a relação da morte com os elfos ficou a cargo de Arwen e não de Haldir. Arwen corajosamente (embora sem compreender direito sua decisão em todas as esferas) decide ficar ao lado de Aragorn Elessar, e assim prova o amargo sabor da dádiva dos homens. Esse momento é descrito a partir da metade da página 349, nos apêndices do Retorno do Rei.

"... melancólica entre as tristezas daquela Era foi a despedida de Arwen e Elrond, pois os dois foram separados pelo Mar e por um destino que ultrapassava o fim do mundo"

Magníficas palavras as do professor, ele define bem a dádiva dos homens: "o fim do mundo". É o fim para os que morrem, mas certamente é também o fim para os que vivem, pelo menos em parte, e não a menor delas.

A morte também foi cruel com Arwen, ela não teria "apenas" que morrer, mas vivenciar a morte em todas as suas instâncias, antes de morrer ela teve que conhecer o luto, a perda.

"Arwen tornou-se uma mulher mortal, mas apesar disso seu destino não era morrer até perder tudo o que ganhara" pois Aragorn lhe disse depois de 120 anos: "... meu mundo está se acabando. Eis que acumulamos e gastamos e agora a hora do pagamento se aproxima!"

Interessante essa analogia de "pagamento". Os antigos gregos tinham que de fato pagar uma moeda ao barqueiro que os transportavam para o mundo dos mortos para não se tornarem almas penadas. As famílias que não colocassem uma moeda embaixo da língua de seus mortos (ou duas sobre suas pálpebras fechadas" eram penalizadas pela Pólis, a cidade-Estado.

O homem atual continua pagando a morte... se não pagamos mais moedas ao barqueiro, com certeza pagamos a morte com a nossa vida e felicidade.

Arwen sabia que Aragorn sendo quem foi, tinha recebido a dádiva de escolher o momento de sua morte. E quando Aragorn escolhe esse momento ela implora como uma reles mortal (e não mais como uma altiva eldar) para que ele fique mais um tempo, para que ele não vá, como uma mortal Arwen barganha com a morte. Quem nunca fez o mesmo quando um ente querido está num leito de hospital?

E Aragorn é realmente corajoso, afinal ao escolher o momento de sua morte ele parece criar a eutanásia da Terra-Média. Mais do que isso, ao escolher morrer antes de se tornar velho e decrépito, Aragorn parece escolher o suicídio. Resolve morrer sem passar pela velhice e seus desprazeres: Visto que Arwen lhe questiona: "Iria, meu senhor, antes de seu tempo...?" e Aragorn responde: "Não antes de meu tempo, pois se não for agora irei em breve, à força". Desculpe Aragorn, com exceção dos suicidas, todos nós vamos "à força" e de certa forma... "em breve", faz parte da condição humana que Eru amaciou pra ti.

Outra fala bonita é a de Aragorn ajudando Arwen a aceitar essa condição dizendo: "... a hora é realmente difícil, mas ela foi feita no mesmo dia que nos encontramos sob as bétulas brancas do jardim de Elrond, por onde agora ninguém caminha"

Esse texto é recheado da ausência que é a morte. Fala sobre jardins vazios. Não é isso que dizemos às crianças quando seus avós morrem? "Ele está descansando num lindo jardim, meu filho". As pessoas desaparecem em meio às flores no fim da vida, e é justamente isso que levamos para elas em seus túmulos, flores.

Aragorn continua: "E sobre a colina de Cerin Amroth, quando rejeitamos tanto a Sombra como o Crepúsculo, foi este o destino que aceitamos".

Eles rejeitaram tanto à Sombra de Mordor, quanto o Crepúsculo de Valinor, rejeitaram tanto o Céu como o Inferno, escolheram viver uma vida mortal, vívida, mas finita, obscura, misteriosamente sombria, como há de ser para todos nós. Sem garantias, aos homens mortais apenas restam crenças e superstições para aliviar esse momento aterrorizador que é a morte em sua plenitude.

Aragorn continua: "Aconselhe-se consigo mesma, minha amada. E pergunte-se se realmente gostaria que eu esperasse até cair do meu alto trono sem virilidade e sem razão."

A morte faz isso com os mortais... tira nossos tutores, temos que nos tornar nossos próprios tutores, temos que nos aconselhar apenas conosco, porque aqueles que amamos se vão. E com os que vão, a morte lhes despi inteiramente, rouba-lhes o corpo, a virilidade, a saúde, a matéria como um todo, mas não só. Rouba também a mente, a razão, o entendimento. Aos velhos só restam as chacotas dos mais jovens pouco antes da morte, pois eles são "devagares" em todos os sentidos, e não compreendem o que é "youtube" e se compreendessem não saberiam pronunciar. A morte tira-nos tudo, identidade, papel e ser.

Arwen compreende por final, embora não aceite: "... só agora entendo a história de seu povo e de sua queda. Desprezei-os como tolos mizeráveis, mas por fim, sinto pena deles. Pois, se realmente esta for, como dizem os eldar, a dádiva do Um concedida aos homens, é uma dádiva amarga de receber".

Sim, certamente. Amarga de receber... é mais fácil desprezar os tolos humanos que travam guerras contra os deuses (e atualmente contra a ciência com muitos cremes e academias) pela busca da vida e do prolongamento da juventude, quando se é uma elfa imortal. Não é dos homens que você sente pena, Arwen, mas de si mesma, em sua condição mortal.

Sim, Eru concedeu aos homens a dádiva de não estarem para sempre presos aos círculos do mundo, mas quem disse que os homens querem essa "liberdade"?

Par finalizar, Aragorn Elessar, em seu leito de morte, era a "imagem do esplendor dos Reis dos Homens, numa glória que não se apagou antes da destruição do mundo". Sim, para todos nós, nossos entes queridos são gloriosos, e a lembrança deles é triste e linda, mas mesmo ela morre conosco um dia. Visto que nem mesmo nós nos lembramos de nossos bisavós e tataravós (nem mesmo seus nomes, seus últimos registros em vida), que são nossos familiares e ascendentes, pois mesmo as memórias deles já foram consumidas não só pela morte, mas pelo silêncio e o esquecimento. Triste é o Destino dos homens, pois a morte não mata apenas nosso corpo e nossa mente, mas também o nosso nome, e com ele toda a nossa existência.

Gonçalo (Gerbur) Justino